Alice, acadêmica do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas pela Estácio em Juiz de Fora, tem uma história linda de independência para nos contar. Ela - que nasceu com deficiência física (não tem a mão esquerda) - relata sobre a sua vida e seu modo de viver:
" Eu nasci assim. Na realidade, a minha mãe não sabia que eu teria uma deficiência física, foi meio que uma surpresa quando o médico me entregou para ela. No início, ele até relutou, ficou com medo da minha mãe não me querer ou não me aceitar. Mas quando o meu pai chegou ao hospital, a situação foi resolvida e me entregaram para a minha mãe."
Sua mãe, que desde nova a ensinou a ser o mais independente possível, deu para Alice um mundo de possibilidades em que ela, sozinha, poderia se auto resolver:
" Minha mãe me criou para eu ser o mais independente possível. E eu sempre recusei ajuda para tudo que eu pudesse recusar. Quando a minha mãe não me ajudava, as pessoas da minha família à questionavam pelo fato dela não estar me ajudando mas, na cabeça da minha mãe, o que ela queria é que eu conseguisse fazer tudo e, sozinha. As pessoas se impressionam quando me vêem amarrando cadarço sozinha."
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| Alice. |
" Eu nasci dessa forma então, para mim, não é como perder algo. Pra mim é uma coisa normal. O que atrapalha, de fato, é o preconceito das pessoas. Eu amarro o meu cadarço igual à você, só que da forma como eu sei fazer. É claro que eu aprendi a fazer tudo de um jeito mais lento, pois não existia alguém para me ensinar de um jeito específico. Por exemplo, fui aprender a abotoar a minha calça aos 12 anos de idade".
"O que acontece é que eu aprendi a fazer tudo, só que de uma determinada forma, que não é a forma como todo mundo faz mas é o meu jeito."
Alice, que desde sempre se vê num mundo totalmente fora dos padrões e trabalha em uma empresa no setor administrativo, afirma:
" Eu não tenho um padrão de fazer as coisas e, então, encontrei o meu jeito. É claro que, quando você não tem uma parte do seu corpo, você não faz as coisas normais, então os outros sentidos são apurados de certa forma. Já que, de algum modo, você precisa encontrar um jeito de fazer tudo - do seu jeito, claro. Não é um jeito pior ou mais difícil, é só um jeito que eu consiga fazer!"
" Assim que eu formar, eu quero procurar algo da minha área, com certeza!"
Sobre a abordagem do preconceito, ela identifica alguns fatores que, de alguma forma, a tornam ainda mais independente:
" Perto de mim não existem pessoas preconceituosas. É claro que, as vezes, acontece de alguém me oferecer ajuda por pensar que não irei conseguir fazer determinada coisa mas, como eu sou bastante independente, de certa forma, acabo dispensando. Não é por mal, é porque eu já nasci assim então procuro me resolver. "
" Nós somos seres humanos capazes de realizar qualquer coisa, da nossa forma, mas somos. O governo, através de conscientização, poderia abordar mais o tema identificando o quanto o ser humano pode se encaixar, mesmo que seja de um jeito novo e diferente. Nós não temos um apoio especializado e isso faz falta. Precisamos de voz. Podemos não ter uma parte do corpo mas isso não não nos faz incapazes, e é assim que muitas pessoas nos enxergam: incapazes. Mas é totalmente ao contrário, pois isso nos coloca no nível de esforço para aprendermos à fazer algo e pode ter certeza que a gente aprende. "
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| O que é que se enxerga, quando o que se quer vê, é só aquilo que se quer enxergar? |
" Nós somos seres humanos capazes de realizar qualquer coisa, da nossa forma, mas somos. O governo, através de conscientização, poderia abordar mais o tema identificando o quanto o ser humano pode se encaixar, mesmo que seja de um jeito novo e diferente. Nós não temos um apoio especializado e isso faz falta. Precisamos de voz. Podemos não ter uma parte do corpo mas isso não não nos faz incapazes, e é assim que muitas pessoas nos enxergam: incapazes. Mas é totalmente ao contrário, pois isso nos coloca no nível de esforço para aprendermos à fazer algo e pode ter certeza que a gente aprende. "
" Eu demorei a me aceitar. Já sofri com a estima. Mas depois que você se aceita, é possível entender que é normal ser assim e que é possível aprender a fazer tudo como qualquer ser humano! A gente leva os desafios com bom humor, é assim que se vive a vida."
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Já imaginou se existisse um centro específico para ensinar ao deficiente à fazer inúmeras coisas para que, desde novo, se sentisse forte para enfrentar o mundo? Principalmente, sobre a questão do preconceito?
O ranking mais forte do quadro de medalhes do Brasil é sempre dos atletas ParaOlímpicos.
Esse é um retrato real e social de centenas de pessoas na busca por um espaço, uma voz, uma oportunidade, um emprego e que, como qualquer outro ser humano, tem capacidade para aprender, ensinar e fazer.
A deficiência física não é o problema. O problema é, de fato, a deficiência psicológica que, infelizmente, boa parte da população tem.
-> O vídeo não teve corte. Na íntegra. Tal qual como se é.
Esse é um retrato real e social de centenas de pessoas na busca por um espaço, uma voz, uma oportunidade, um emprego e que, como qualquer outro ser humano, tem capacidade para aprender, ensinar e fazer.
A deficiência física não é o problema. O problema é, de fato, a deficiência psicológica que, infelizmente, boa parte da população tem.
-> O vídeo não teve corte. Na íntegra. Tal qual como se é.
Fotos e Vídeo do BLOG: Tarlis Araújo





