segunda-feira, 30 de outubro de 2017

A aceitação que muitos não tem por falta do entendimento

Hoje, eu compartilho a história do Jailton. Um rapaz de 22 anos de idade que - embora tão novo na experiência da vida - tenha muito à oferecer como homem e ser humano.

Jailton, que nasceu na cidade de São Paulo e, aos 6, se mudou para um pequeno município no interior de Minas Gerais, tem sua trajetória marcada por fatos tão reais e que, cada vez mais, acontecem com inúmeros adolescentes, nos conta - com muito detalhe - a fase que marcou a sua vida.

" Sempre tive uma vida tranquila e normal e nunca havia passado por nada traumatizante. Mas entre os 12 e 13 anos de idade, eu percebi que a minha atração não era por meninas. E com isso veio uma série de descobrimento sobre mim. Nessa época, eu me sentia deslocado. Na realidade, eu tinha vergonha de mim mesmo, pois pensava que aquilo que eu sentia era algo relacionado como uma doença. Todos os meus amigos eram encantados por meninas, mas eu, eu só conseguia sentir algo por pessoas do mesmo sexo".

Jaiton Oliveira: 22 anos de muita experiência e carga de vida.

" Com o passar do tempo, eu tentei gostar de meninas. Eu não me aceitava. Aliás, eu não me entendia e, por isso, não conseguia me aceitar. Não conseguia ser quem eu era de verdade. Eu via os meus amigos tendo intimidade com as garotas e eu, até então, era o único garoto do meu círculo social, que não me enquadrava naquele mesmo sentimento. Naquela mesma atração. Eu só conseguia pensar que aquilo que eu era ou estava me tornando, era algo errado".

Após um período de sofrimento, tentando entender o que se passava consigo mesmo, Jailton (já na era tecnológica), começou a pesquisar o que era, ate então, a sua "atração por meninos ou pessoas do mesmo sexo".

Olhos que respeitam e exigem respeito.

" Meus olhares era apenas para os homens. Eu nunca conseguia sentir atração ou desejo por mulheres, por mais que tentasse me relacionar com elas. Passei boa parte me escondendo e me isolando por pensar que tudo aquilo, era uma abominação. Eu não entendia, de fato. Eu não saia, porque não queria me sentir na pressão (dos amigos ou de outras pessoas) de ter que ficar com as garotas. Foi uma fase um tanto quanto cruel. Mas aos 16 anos, com o mundo da internet, eu comecei a pesquisar o que era todo aquele sentimento. E eu comecei então a me entender. Entender que aquilo que eu sentia era normal e que existia inúmeras pessoas iguais à mim. Eu não estava sozinho no mundo. Não era errado. Não era aberração. Não era doença". 

Toda essa jornada do Jailton, trouxe inúmeras experiências de vida e uma empatia pelo próximo. Ele, que atualmente mora em Juiz de Fora e é financeiramente independente, relata que nesse período de  descoberta de quem ele era e de aceitação própria, trouxe a oportunidade de uma convivência melhor com os familiares:

" Quando os meus pais souberam, pensei que seria difícil pra eles (ou pra mim). Só que depois da minha aceitação, o relacionamento com a minha mãe ficou ainda melhor e com o meu pai - apesar de no início ele a ter culpado por algo que ela não tinha culpa -, se tornou um verdadeiro relacionamento de pai e filho. Hoje posso conversar com eles, me abrir. Posso ser eu mesmo".

Clique na imagem para ampliar.
"Eu não preciso dizer que eu sou gay, da mesma forma que não vejo a necessidade de alguém que não é, dizer que é hétero. Depois que eu entendi a mim mesmo, eu me aceitei. Eu percebi que existe diversidade e comecei a vê o mundo do tamanho que ele é".

Mas a jornada do Jailton não para por aí.

Após fazer as provas pra ingressar no sistema acadêmico e fazer a tal sonhada graduação em Odontologia, em setembro de 2017 ele foi chamado pelo processo seletivo do FIES (Fundo de Financiamento Estudantil do Ensino Superior), à se matricular na faculdade SUPREMA:

" Eu sempre tive o sonho de cursar ODONTO. Só que por ser uma graduação concorrida, eu não havia conseguido passar em uma faculdade pública. Com essa atual oportunidade que o governo deu à inúmeras pessoas, de inúmeras classes, gênero e cor, podemos ingressar no sistema acadêmico em grandes cursos, como Medicina e Odontologia. Antes, não havia essa assistência em financiamento ou bolsas".

Jailton ainda reafirma sobre as novas oportunidades de ingresso e diz que as pessoas de baixa renda, não tinham a chance em cursar em uma faculdade ou universidade particular. Apenas pelo sistema público. E por ser super concorrido, muitos não entravam:

" O que basta para muitas pessoas alcançarem seus objetivos, é a oportunidade. Então a partir do momento que o governo dá assistência e dá oportunidade, uma pessoa de baixa renda pode estudar em um sistema público ou particular. E poder financiar uma graduação particular e ter condição de estudar em um modelo privado é algo maravilhoso. Isso é uma conquista para a nossa população. E não importa o gênero, raça ou a situação financeira, com oportunidade, todos são capazes!"

Abaixo, você pode conferir uma mensagem do Jailton à todas as pessoas que se identificam com essa história. Que se simpatizam. Ou, que de alguma forma, se viu em suas falas.



Já parou para pensar o quanto inúmeras pessoas sofrem por não se aceitarem ou por não se entenderem?

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De qual lado do barco você está?! Do lado que respeita ou do lado que discrimina?
Brasil é o país que mais mata LGBT's: CLICA NO LINK!

Segundo pesquisa, maioria dos homossexuais não se aceitam por medo de rejeição: ACESSE AQUI!

Mais um relato de um caso brutal sobre a falta de amor e respeito: Geledes.Org.Br

Se você quer entender um pouco mais sobre o sistema de integração em universidades através de bolsas e o quanto ele é importante, clica AQUI, AQUI ou AQUI e leia relatos e artigos sobre a posição de inúmeros estudantes e o que é cada programa.

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Não importa a cor, a etnia, o gênero, todos tem direito ao respeito. Todos, sem exceção, tem direito à vida.

Fotos do BLOG: Tarlis Araújo

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